Pensa em mim como um silêncio aceso,
um corpo suspenso entre o tempo e o nada.
Sou feita de sombra e claridade, um sussurro que paira sobre os destinos.
No escuro, acolho os cansaços do mundo.
Sou presença que vigia,
sou ausência que atrai.
Não sorrio, não derramo pranto.
Minha face muda segue intacta,
mas arrasto os sonhos dos que me contemplam.
Poetas me observam com olhos cheios,
e, sem pedir, entregam seus versos.
Sou altar de promessas não ditas,
farol de desejos sem nome.
E quando a noite se deita em mim,
espelho o mundo com um reflexo calmo, profundo,
que ninguém decifra.
Mas todos sentem.
Márcio Diniz

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