Herdeiro de ninguém

Levo a vida que quero.
Admito o fracasso sagrado.
Sou assim mesmo.
E assim que o tempo muda, eu mudo o meu tempo.

Ele é meu maior aliado, professor e meu bem mais precioso.
Aprendi a cada dia, que tenho um milhão de céus para conhecer.
Ou infernos para vivenciar.
E eles são todos meus.

E eu me entrego por inteiro à eles também
Divido meu tempo com os loucos.
E com eles, me assento à mesa.
Encontre quem se atreva.

Sigo em frente, o sol me acompanha.
Quando não me movo, estou na contra-mão, em meio à estrelas.

Um dia sou um bandido.
No outro, eu sou o que serei.
Herdeiro perdido, filho pródigo

No coração, um ferimento causado por uma espada.
Se o ferimento causar a minha morte
Não desejo vingança

Morro porque quero, morri porque quis, e como quis.
Inúmeros são os meus erros, 
Mas não são maiores que a minha intolerância.

Minha alma foi vendida.
Está morta, há tempos.
Um poeta morto.
Morto em mim, 
Enquanto eu não for 
poeta na alma.

Enquanto eu não for um poeta novo.
Homem alma e poeta.
Como a Fênix.

Morro e vivo incontáveis vezes
De nada adianta.
Irei ressurgir.
Dentro de mim, dentro de ti.
À meia noite, num dia qualquer.


Por: Márcio Bender

Créditos da imagem: divulgação

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